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AUSTRÁLIA: Um destino completo
Data: 15/05/2010
Fonte: Mercado & Eventos
Sydney, Adelaide e Kangaroo Island. Esses foram os destinos visitados na Austrália com exclusividade pelo Mercado & Evento, de 18 a 24 de abril, a convite da Kangaroo Tours, operadora especializada no país, Tourism New South Wales e South Austrália Tourism Comission. Com 21 milhões de habitantes, o sexto maior país em extensão territorial e também a maior ilha do mundo, recebe em média 5,6 milhões de turistas por ano, provenientes especialmente da Nova Zelândia, Japão, Estados Unidos, Grã-Bretanha, China e Cingapura.
Os brasileiros são mais vistos por lá como estudantes. O destino está entre os top 5 na escolha dos intercambistas. Estando na Austrália, é possível entender o porquê. Ao contrário do que muitos dizem a Austrália não é nem de longe um Brasil desenvolvido. Estamos a anos-luz deles. Está mais para Inglaterra tropical. Praias de águas transparentes e areia branca convivem com organização, infraestrutura e educação de dar inveja. Quatro por cento das melhores universidades do mundo ficam aqui. A excelente qualidade de vida garantiu ao país a segunda posição no ranking de Índice de Desenvolvimento Humano de 2009, que avaliou 182 países. A Austrália perdeu apenas da Noruega e por uma diferença mínima: IDH 0,970 contra 0,971, respectivamente.
Os brasileiros desembarcam em Sydney, que está treze horas à frente de Brasília. As opções mais rápidas para chegar são via Buenos Aires com a empresa australiana Qantas, que faz parte da aliança One World, e via Joanesburgo com a South African Airways, da Star Alliance. A Austrália é um país continental, por isso, para chegar às outras cidades o melhor é ir de avião. Há diversas companhias regionais como Virgin Blue, Jetstar e Regional Express. Se tiver tempo, é possível curtir a viagem em campvans, espécie de carro dormitório bastante comum por lá, ou pelos trilhos dos trens, que cortam o país de leste a oeste, de norte a sul. É só escolher o destino.
Os Mistérios das Montanhas Azuis
A 50 minutos de Sydney ficam as famosas Montanhas Azuis, assim chamadas por apresentarem cor azulada quando vistas de longe. Esse fenômeno é fruto da radiação ultravioleta que se espalha por partículas na atmosfera criando o tom azul-acinzentado em qualquer objeto distante, incluindo montanhas e nuvens. Nada muito diferente do que vemos nos montes aqui pelo Brasil, diga-se de passagem. Mas muitos acreditam, erroneamente, que a cor é criada pelo reflexo da luz no vapor que sai das folhas do eucalipto, árvore que cobre toda a área de 1.436 quilômetros quadrados da região. Imaginou o cheirinho de sauna pelo caminho? É melhor não se empolgar. Existem 700 espécies diferentes da árvore e as folhas só exalam cheiro quando são esmagadas.
E se tem eucalipto tem coala por perto. Afinal, esse é o único alimento que eles comem. E bebem! O coala, que na língua dos indígenas locais quer dizer “animal que não bebe”, mata a sede com o suco oleoso das folhas do eucalipto. Eles dormem 14 horas – tanto assim porque o eucalipto não lhes dá nutrientes o suficiente para serem mais ativos – e passam o resto do dia, ou melhor, da noite, comendo. Nas Montanhas Azuis eles podem ser facilmente vistos no Featherdale Wildlife Park assim como 30 outras espécies nativas a exemplo do demônio da Tasmânia e dos cangurus.
O parque é a primeira parada do passeio de um dia inteiro às montanhas. A segunda, para o almoço, é a pequena e charmosa cidade de Leura, com apenas 4.500 habitantes. Diversos cafés e bistrôs são ladeados por lojas de artesanato e de roupas vintage. Chega-se então ao Grose Valley, de onde se tem uma vista panorâmica das Montanhas Azuis, com destaque para a cachoeira Govett, que cai de uma altura de 160 metros. A última e mais concorrida parada é o Scenic World, de onde se avista as Três Irmãs, três rochas em forma de cone. No parque, há quatro maneiras para se locomover, o Railway, trenzinho que leva à parte baixa da montanha; o Walkway – há três diferentes trilhas, de 10, 30 e 50 minutos, para percorrer o parque, o Cableway, bondinho que leva à parte alta da montanha; e o Scenic Skyway, travessia aérea que liga dois diferentes pontos altos da montanha, com uma cachoeira no meio do caminho, e de onde é possível ver o fim do precipício por meio do chão de vidro do bonde.
Sydney, cosmopolita e rica
Quase 1/5 da população da Austrália vive em Sydney. É a cidade mais populosa do país e, ao contrário do que muitos pensam, não é a capital. Canberra é a resposta certa. Mas é a principal cidade de New South Wales, região onde está localizada. Sydney possui a maior renda familiar da Austrália e é também a 16ª cidade mais cara do mundo, de acordo com a revista The Economist. Está lá o Queen Victoria Building, shopping que já foi mencionado pelo estilista Pierre Cardin como o mais chique do mundo.
Em um passeio pela baía de Sydney dá para ter uma idéia dessa riqueza. Mansões são avistadas de longe, sempre com iates por perto. O tour pode ser feito em diversos horários, com ou sem refeição, e custa a partir de AU$ 38 pela empresa Captain Cook Cruises (www.captaincook.com.au). A rota também é variada. Um dos tíquetes mais vantajosos é o Hop on Hop off Day Pass Harbour Express. Com ele, o visitante pode saltar nas sete paradas e voltar mais tarde para pegar o ferry. O ponto de embarque é na Circular Quay, onde ficam os principais atrativos turísticos da cidade: a Opera House, a Harbour Bridge e o Royal Botanic Gardens.
O barco para na Taronga Zoo, casa dos australianíssimos coala, canguru e ornitorrinco; na Watsons Bay, onde ficam o famoso restaurante de frutos do mar Doyles e lindas praias próprias para banho; e na Darling Harbour, com o imperdível Aquário de Sydney. Aqui, é possível pegar um monorail para Sydney Tower, Star City Casino, Powerhouse Museum e China Town. Tem ainda os pontos de parada Fort Denison, forte localizado em uma pequena ilha; a Shark Island, perfeita para um piquenique; e o Luna Park, parque de diversão com roda gigante e tudo. Se tiver pouco tempo para conhecer Sydney, esse é o roteiro perfeito.
Adelaide: Capital das Rosas e dos Vinhos
Capital da região chamada South Australia, Adelaide é considerada também a Capital Mundial das Rosas. No Jardim Botânico da cidade estão abertas à visitação cinco mil flores desse tipo, que atraem cerca de 800 mil turistas, nacionais e internacionais, todos os anos. À beira-mar, a cidade conta com ótimas praias para o banho, de águas claras e calmas, entre elas Glenelg, a mais popular. Cafés, restaurantes e até um pequeno parque aquático emolduram o cartão-postal, que também é composto por um píer bastante concorrido no fim da tarde.
É ponto de encontro também o Rundle Mall, shopping a céu aberto em Adelaide. A rua de pedestre, de cerca de um quilômetro, tem dezenas de lojas, entre elas as famosas David Jones, Myer, Harris Scarfe, Target e Toys R Us. Perto dali, em North Terrace, fica o corretor cultural da cidade, com a Art Gallery of South Australia, a State Library e o South Australia Museum, que possui a maior coleção de arte aborígene australiana do mundo.
A 20 minutos da cidade fica o Cleland Wildlife Park. Diferente do que acontece em Featherdale, em Sydney, aqui os animais ficam soltos em grandes áreas e é possível caminhar por extensos campos gramados entre eles. Além de dar comida para cangurus e wallabies (espécie menor de canguru), o visitante vai se encantar ao segurar um coala por alguns minutos em uma sessão especial que é aberta às 14h. Paga-se à parte por isso.
Nas montanhas de Adelaide, também estão importantes regiões vinícolas como a Barossa Valley, uma das mais charmosas. Na Penfolds Wines, o turista faz o seu próprio vinho a partir da mistura de algumas uvas como Grenache, Shiraz e Mourvedre. No rótulo da garrafa de 375 ml vem o nome do mais novo “winemaker” do pedaço.
Na Peter Lehmann Wines, uma placa na entrada informa: “Degustação de vinho aberta”. Aqui, a AU$ 25, o visitante pode encomendar o “Weighbridge Platter”, uma porção de produtos regionais como salame, queijos, azeitonas, molhos e pães, ideal para o almoço de um casal ou servido como lanche da tarde a um grupo. Os aperitivos podem ser apreciados com uma taça ou garrafa de vinho nos jardins da vinícola. As garrafas Peter Lehmann são facilmente reconhecidas pela logo, uma Dama de Paus. Sempre estilizadas, são desenhadas pelo artista local Rod Schubert.
Imperdível em Barossa é o restaurante Vintners Bar & Grill. Se estiver tempo bom, escolha almoçar na varanda, embaixo de videiras e ao lado de roseiras. No outono, as folhas secas e rosadas caem das árvores e se espalham entre as mesas, cenário de obra de arte. Para finalizar o passeio, dê uma passadinha na Maggie Beer’s Farm Shop. Maggie Beer, famosa chef e escritora, vende em sua loja diversos produtos regionais feitos especialmente por ela, com destaque para molhos, geléias e sorvetes, todos com provinhas à disposição. Uma delícia!
Vida selvagem em cenário paradisíaco na inesquecível Kangaroo Island
A apenas 20 minutos de vôo de Adelaide fica a desconhecida por muitos brasileiros, mas inesquecível desde os primeiros minutos de viagem, Kangaroo Island, com quatro mil habitantes. O avião de apenas 33 lugares da Regional Express deve levantar vôo às 17h05 da capital de South Australia de propósito, para impressionar os turistas. O pôr-do-sol que vê lá de cima refletido nos recifes de água azul turquesa lá debaixo é de uma beleza indescritível.
A ilha é assim chamada não pelos milhares de cangurus encontrados em seus 155 quilômetros de comprimento, mas pela gratidão de Matthew Flinders a esses marsupiais. Quando o inglês foi designado para mapear a costa da Austrália, encontrou morto de fome, em 1802, a ilha. Comeu os primeiros 31 cangurus que encontrou e os homenageou dando nome ao pedaço de terra de “Ilha do Canguru”.
Mal sabia ele o que mais iria encontrar. A ilha é um verdadeiro santuário de leões-marinhos, que encontram no Seal Bay Conservation Park o lugar ideal para viver. Trata-se de uma praia exclusiva para eles. É possível avistá-los a partir de trilhas de madeira ou, mediante alguns dólares a mais, da areia da praia. É proibido, no entanto, chegar muito perto dos animais. Mas a distância mínima de dez metros é mais do que suficiente para tirar ótimas fotos dos leões-marinhos brincando, brigando, se espreguiçando, dormindo.
Eles também podem ser clicados no Admirals Arch, formação rochosa em forma de arco, localizada numa das pontas da ilha. Percorre-se um caminho de trilhas em madeira de cerca de dez minutos até se chegar ao objetivo final. Todo o trajeto, ao longo da costa, é de tirar o fôlego: grandes paredões, ilhotas a poucos metros de distância e pequenas piscinas formadas nas pedras, parque aquático dos leões-marinhos, formam o cenário.
A poucos metros dali, as “Remarckable Rocks” chamam a atenção. Entre duas praias, uma mais bonita que a outra, um conjunto de pedras gigante com formas inusitadas virou ponto turístico da ilha. E por falar em praia, na Kangaroo Island está a mais bonita praia de toda Austrália, segundo a Universidade de Sydney: a Vivonne Bay. Um professor – sortudo – foi pago para percorrer as dez mil praias do país e escolher a mais bonita segundo critérios como: ter no mínimo dois quilômetros de costa, ter fácil acesso, não ter nenhum tipo de construção em volta e ser impecável em relação à conservação do meio ambiente. Não fossem esses critérios, bem que a Hanson Bay, bem menorzinha, poderia ter sido escolhida. Suas águas azuis e areia branca em forma de concha deixam qualquer um boquiaberto.
A ilha reserva ainda o Koala Walk, caminho entre eucaliptos onde é possível avistar diversos coalas – é bom levar um binóculo – e o Kelly Hill Conservation Park, com uma concentração incrível de cangurus. O veículo 4x4 percorre o parque, mas para em alguns momentos para que os visitantes possam caminhar entre os marsupiais. E, claro, tomar o chá das 5h, afinal essa é uma ex-colônia britânica.
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