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AUSTRÁLIA: Um destino completo

Data: 01/07/2010
Fonte: Folha do Turismo

Por Thais Hernandes

Com 21 milhões de habitantes, sendo o sexto maior país em extensão territorial e também a maior ilha do mundo, a Austrália recebe em média 5,6 milhões de turistas por ano, provenientes especialmente da Nova Zelândia, Grã-Bretanha, China, Cingapura, do Japão e dos Estados Unidos. Os brasileiros, que chegaram a 26 mil em 2009, são mais vistos por lá como estudantes. O destino está entre os top 5 na escolha dos intercambistas. Estando na Austrália, é possível entender o porquê.
Ao contrário do que muitos dizem a Austrália não é nem de longe um Brasil desenvolvido. Estamos a anos-luz deles. Está mais para Inglaterra tropical. Praias de águas transparentes e areia branca convivem com organização, infraestrutura e educação de dar inveja. Quatro por cento das melhores universidades do mundo ficam lá. A excelente qualidade de vida garantiu ao país a segunda posição no ranking de Índice de Desenvolvimento Humano de 2009, que avaliou 182 países. A Austrália perdeu apenas para a Noruega e por uma diferença mínima: IDH 0,970 contra 0,971, respectivamente.
Os brasileiros desembarcam geralmente em Sydney, que está 13 horas à frente de Brasília atualmente. As opções mais rápidas para chegar são via Buenos Aires com a empresa australiana Qantas, que faz parte da aliança One World, e via Joanesburgo com a South African Airways, da Star Alliance, que também conta com vôos para Perth, no oeste australiano. A Austrália é um país continental, por isso, para chegar às outras cidades o melhor é ir de avião. Há diversas companhias regionais como Virgin Blue, Jetstar e Regional Express. Se tiver tempo, é possível curtir a viagem em campvans, espécie de carro-dormitório bastante comum por lá, ou pelos trilhos dos trens, que cortam o país de leste a oeste, de norte a sul. É só escolher a cidade. A folha do turismo esteve no sul do país e mostra agora para você quatro destinos obrigatórios: a cosmopolita Sydney, a surpreendente Melbourne, a romântica Adelaide e a paradisíaca Kangaroo Island.

Sydney, cosmopolita e rica

Quase 1/5 da população da Austrália vive em Sydney. É a cidade mais populosa do país e, ao contrário do que muitos pensam, não é a capital. Camberra é a resposta certa. Mas é a principal cidade de New South Wales, região onde está localizada. Sydney possui a maior renda familiar da Austrália e é também a 16ª cidade mais cara do mundo, de acordo com a revista The Economist. Está lá o Queen Victoria Building, shopping que já foi mencionado pelo estilista Pierre Cardin como o mais chique do mundo.
Em um passeio pela baía de Sydney dá para ter uma idéia dessa riqueza. Mansões são avistadas de longe, sempre com iates por perto. O tour pode ser feito em diversos horários, com ou sem refeição, e custa a partir de AU$ 38 pela empresa Captain Cook Cruises (www.captaincook.com.au). A rota também é variada. Um dos tíquetes mais vantajosos é o Hop on Hop off Day Pass Harbour Express. Com ele, o visitante pode saltar nas sete paradas e voltar mais tarde para pegar o ferry. O ponto de embarque é na Circular Quay, onde ficam os principais atrativos turísticos da cidade: a Ópera de Sydney (Opera House), a Ponte do Porto de Sydney (Harbour Bridge) e o Jardim Botânico Real (Royal Botanic Gardens).
O barco para no Taronga Zoo, casa dos australianíssimos coala, canguru e ornitorrinco; na Baía Watsons, onde ficam o famoso restaurante de frutos do mar Doyles e lindas praias próprias para banho; e no Porto Darling, com o imperdível Aquário de Sydney. Tem ainda os pontos de parada Forte Denison, fortaleza localizada em uma pequena ilha; a Ilha Shark, perfeita para um piquenique; e o Luna Park, parque de diversão com roda-gigante e tudo. Se tiver pouco tempo para conhecer Sydney, esse é o roteiro perfeito.
Outra opção, além do barco, é o Sydney Monorail. O trem passa por diversas atrações da cidade, como a Torre de Sydney, o Star City Cassino, o Museu Powerhouse e Chinatown, além de duas paradas obrigatórias quando se vai a Sydney: a George Street, Meca das compras, e o Porto Darling, Meca dos restaurantes, citada acima. O Day Pass, que pode ser utilizado o dia inteiro, custa AU$ 9,50 por pessoa. Se estiver com a família (dois adultos e duas crianças de 5 a 15 anos ou um adulto e três crianças), compre o Family Pass, a AU$ 23. Nas estações é possível comprar uma moeda de lembrança de cada ponto turístico.

10 + de Sydney:

1- Bondi Beach
Sydney tem mais de 50 praias, mas certamente a mais famosa, não só na cidade, mas em todo o país, é a Bondi Beach. Embora sua beleza natural não seja tão impressionante como a de outras praias de Sydney, como Palm Beach ou mesmo a vizinha Bronte Beach, sua longa história e papel no desenvolvimento da cidade, além dos inúmeros cafés, restaurantes, bares, bostes e hotéis localizados próximos à orla da praia, justificam sua fama.

2- Sydney Aquarium
Um dos maiores aquários do mundo, o Aquário de Sydney é o lar de 12 mil animais, incluindo tubarões, arraias gigantes, cavalos-marinhos, pingüins e dois dugongos – existem apenas seis em cativeiro em todo o mundo. Um dos pontos altos são os túneis de vidro, nos quais os visitantes ficam cara a cara com tubarões, por exemplo. É considerada uma das maiores atrações turísticas da cidade com mais de 50% de seus visitantes vindos de outros países.

3- Sydney Wildlife
É o zoológico que fica em Darling Harbour ao lado do aquário. Aqui se encontra o crocodilo que, segundo especialistas, é o último dinossauro vivo. Também nesse zoológico estão exemplares da ave mais perigosa do mundo, o Casuar, originário do Norte da Austrália, Nova Guiné e ilhas da região. Mas se você está procurando animais que são símbolos do país, como os cangurus e os coalas, não irá se decepcionar. É possível chegar bem próximo deles.

4- Sydney Tower
A torre é utilizada para fins de telecomunicação e navegação, mas é também um dos pontos turísticos mais visitados da cidade. O topo dourado tem capacidade para 960 pessoas e possui dois andares de restaurantes, cafeteria e plataforma para observação, da qual é possível ver Sydney em 360 graus através dos diversos binóculos localizados estrategicamente e de acesso gratuito. Pagando um valor adicional, o visitante acessa o Sky Walk, terraço a 268 metros de altura, cujo piso, de vidro, se move para fora da torre. A atração oferece ainda a oportunidade de voar por cenários deslumbrantes da Austrália através da OzTrek Ride. Cadeiras que se movem efeitos especiais e uma tela de cinema de seis metros de altura de 180 graus garantem a sensação.

5- Sydney Opera House
Construída em 1973, a Ópera de Sydney é o símbolo da cidade. O edifício tem uma estrutura muito peculiar, em forma de “velas” com azulejos brancos. Este grande teatro recebe 1.500 performances todos os anos, de ópera a circo, de rock a cabaré, atraindo cerca de 1,5 milhão de espectadores. Conta com uma sala para concertos, uma sala para ópera e outras salas menores. A visita com audioguia está disponível em inglês e francês, dura aproximadamente uma hora. Para quem quer ver mais, existe ainda um tour pelos bastidores da Opera House, que inclui café da manhã.

6- Imax Theatre
Geralmente não está entre as atrações principais da cidade, mas para os cinéfilos de plantão e para quem não dispensa a pipoca, é imperdível. Afinal, aqui fica a maior tela de cinema do mundo! Escolha um filme em 3D. O efeito é fantástico. Além de filmes comerciais, também possui uma programação bem variada de produções estilo National Geographic, como Austrália, Terra Além do Tempo; Antártica; Insetos; Egito, os Segredos das Múmias; No fundo do Mar; entre outros.

7- The Rocks
É o bairro mais antigo e mais europeu da cidade. Há edifícios históricos renovados, galerias de arte, pubs, restaurantes, cafés e lojas turísticas. A programação de entretenimento por lá é tão variada que possui até um site especial: www.therocks.com
Escolha o show de sua preferência e parta para lá. Para os que gostam de museu, o Museu de Arte Contemporânea de Sydney fica em The Rocks e tem uma coleção interessante de arte australiana e internacional.

8- Harbour Bridge
A ponte da Baía de Sydney liga o centro financeiro de Sydney com a costa norte, residencial e comercial. Concluída em 1932, demorou oito anos para ser construída. Com 1.149 metros de comprimento e 134 metros de altura, a contar do nível do mar até o ponto mais alto do arco que a sustenta, a ponte, de acordo com registros do Guinness Book, é a mais larga do mundo. E também a ponte de arco em aço mais elevada e mais longa. A Harbour Bridge permite a travessia rodoviária e ferroviária. É possível a visita com guia.

9- Royal Botanic Gardens
Daqui é que se tira a famosas foto da Opera House com a Harbour Bridge logo atrás. É o Jardim Botânico mais central de Sydney. Os outros são Mount Annan Botanic Garden e Mount Tomah Botanic Garden. Os jardins com plantas australianas e de outros países, dispostos em uma área de 30 hectares, também valem o passeio. O acesso é grátis e fica aberto todos os dias do ano.

10- Queen Victoria Building
Esse shopping, que já foi mencionado pelo estilista Pierre Cardin como o mais chique do mundo, fica em um prédio de 1898 e ocupa um quarteirão inteiro. Tem o teto de vidro e abriga o Royal Clock – relógio que toca trombetas de hora em hora. Há marcas caríssimas como Salvatore Ferragamo e Swarovski até outros mais “populares” como Ralph Lauren e Adidas Original. São cinco andares de pura perdição. Cuidado também para não se perder no subsolo. Quando você se dá conta, está em um labirinto subterrâneo de lojas.

O mistério das Montanhas Azuis

A 50 minutos de Sydney ficam as famosas Montanhas Azuis, assim chamadas por apresentarem cor azulada quando vistas de longe. Esse fenômeno é fruto da radiação ultravioleta que se espalha por partículas na atmosfera criando o tom azul-acinzentado em qualquer objeto distante, incluindo montanhas e nuvens. Nada muito diferente do que vemos nos montes aqui pelo Brasil, diga-se de passagem. Mas muitos acreditam, erroneamente, que a cor é criada pelo reflexo da luz no vapor que sai das folhas do eucalipto, arvore que cobre toda área de 1.436 quilômetros quadrados da região. Imaginou o cheirinho de sauna pelo caminho? É melhor não se empolgar. Existem 700 espécies diferentes da árvore e as folhas só exalam cheiro quando são esmagadas.
E se tem eucalipto tem coala por perto. Afinal, esse é o único alimento que eles comem. E bebem! O coala, que na língua dos indígenas locais quer dizer “animal que não bebe”, mata a sede com o suco oleoso das folhas do eucalipto. Eles dormem 14 horas – tanto assim porque o eucalipto não lhes dá nutrientes o suficiente para serem mais ativos – e passam o resto do dia, ou melhor, da noite, comendo. Nas montanhas Azuis eles podem ser facilmente vistos no Featherdale Wildlife Park, assim como 30 outras espécies nativas a exemplo do Demônio da Tasmânia, dos cangurus e dos wallabies.
O parque é a primeira parada do passeio de um dia inteiro às montanhas. A segunda, para o almoço, é a pequena e charmosa cidade de Leura, com apenas 4.500 habitantes. Diversos cafés e bistrôs são ladeados por lojas de artesanato e de roupas vintage. Chega-se então ao Grose Valley, de onde se tem uma vista panorâmica das Montanhas Azuis, com destaque para a cachoeira Govett, que cai de uma altura de 160 metros. A última e mais concorrida parada é o Scenic World, de onde se avista as Três Irmãs, três rochas em forma de cone. No parque, há quatro maneiras para se locomover: O Railway, trenzinho que leva à parte baixa da montanha; o Walkway – com três diferentes trilhas, de dez, 30 e 50 minutos, para percorrer o parque; o Cableway, bondinho que leva à parte alta da montanha; e o Scenic Skyway, travessia aérea que liga dois diferentes pontos altos da montanha, com uma cachoeira no meio do caminho, e de onde é possível ver o fim do precipício através do chão de vidro do bonde.

Melbourne
Na vanguarda da moda e da arquitetura

Vanguardista. Assim pode ser definida Melbourne. Seja na arquitetura ou na moda, a capital do estado de Victória, no sul da Austrália, reúne as tendências mundiais por suas ruas. A começar pelos edifícios de design arrojado, como o Rialto Towers, de 66 andares, que tem um dos elevadores mais velozes do mundo. Em apenas 40 segundos, chega-se ao topo. Outros exemplos de arquitetura contemporânea são o Eureka Towers, com 300 metros, e a Federation Square, que ocupa cinco quarteirões com galerias de arte, lojas, restaurantes, cafés e um agradável átrio feito de vidro, aço e zinco, que dá vista para o Rio Yarra.
Lado a lado com a modernidade estão construções em estilo colonial, a começar por uma das pontes que cruza o Rio Yarra, a chamada Princes Bridge, com 120 anos.Também fazem parte da lista o La Trobe’s Cottage, chalé de 1839; a State Parliament House, maior construção do século 19 da Austrália; a estação ferroviária Flinders Street; e a mansão de Rippon Lea, de 1868, um dos mais ricos patrimônios da cidade com banheiros vitorianos, sala de jantar renascentista e uma torre de onde é possível admirar o lindo jardim.
Os amantes do mundo fashion podem se esbaldar no trecho conhecido como “Paris End”, que compreende as ruas Collins, Toorak e South Yarra. Aqui acontecem os principais desfiles de moda de grifes internacionais. Já os gourmets devem se concentrar na orla do Rio Yarra, onde três mil restaurantes oferecem culinária de 70 países.
Melbourne, localizada na Baía Port Phillip, também conta com inúmeras praias para os que não dispensam o bronzeado. Entre novembro e março, quando o tempo já está bem quente, as mais requisitadas são Port Melbourne, South Melbourne, Middle Park, St Kilda, Elwood, Hampton, Brighton, Sandringhan, e Williamstown. Mas, atenção, apesar de ser verão, as águas são, muitas vezes, de congelar!

Imperdíveis!

Great Ocean Road

A cerca de 100 Km de Melbourne fica a Great Ocean Road, estrada de 240 Km que liga as cidades de Torquay e Warrnambool pela costa. Considerada uma das rodovias mais bonitas do mundo pelos cenários cinematográficos no meio do caminho – é difícil não querer parar a cada 200 metros para tirar uma foto – essa estrada leva a uma das atrações mais apreciadas do sul da Austrália: a formação rochosa chamada Doze Apóstolos, esculpida pelo vento e pelo mar. Das 12 rochas restam apenas sete. A estrada passa ainda pelas encantadoras cidades de Princetown, Geelong e Warrnambool, além de praias como Bells e Johanna, perfeitas para o surfe.

Phillip Island

Não é preciso ir até a Antártida para ver a famosa Marcha de Pinguins, documentada em filme. A apenas 140 km de Melbourne, em Phillip Island, inúmeros pingüins, equilibrando-se em 33 cm de altura, marcham graciosamente em fileira todos os finais de tarde para dentro da praia de Summerland. O desfile dura uma hora, tempo suficiente para registrar tudo. O ideal é levar uma boa câmera com zoom potente. Mas não só os pingüins dão espetáculo por aqui. Os santuários dos coalas e focas também fazem parte dos passeios obrigatórios.

Adelaide
Capital das rosas e dos vinhos

Capital da região chamada South Australia, Adelaide é considerada também a Capital Mundial das Rosas. No Jardim Botânico da cidade estão abertas à visitação cinco mil flores desse tipo, que atraem cerca de 800 mil turistas, nacionais e internacionais, todos os anos. À beira-mar, a cidade conta com ótimas praias para banho, de águas claras e calmas, entre elas Glenelg, a mais popular. Cafés, restaurantes e até um pequeno parque aquático emolduram o cartão postal, que também é composto por um píer bastante concorrido no fim da tarde.
É ponto de encontro também o Rundle Mall, shopping a céu aberto em Adelaide. A rua de pedestre, de cerca de um quilômetro, tem dezenas de lojas, entre elas as famosas David Jones, Myer, Harris Scarfe, Target e Toys R Us. Perto dali, em North Terrace, fica o corredor cultural da cidade, com a Galeria de Arte de South Austrália, a Biblioteca Estadual e o Museu South Austrália, que possui a maior coleção de arte aborígene australiana do mundo.
A 20 minutos da cidade fica o Cleland Wildlife Park. Diferente do que acontece em Featherdale, em Sydney, aqui os animais ficam soltos em grandes áreas e é possível caminhar por extensos campos gramados entre eles. Além de dar comida para cangurus e wallabies (espécie menor de canguru), o visitante vai se encantar ao segurar um coala por alguns minutos em uma sessão especial que é aberta às 14h, paga à parte.
Nas montanhas de Adelaide também estão importantes regiões vinícolas como a Barossa Valley, uma das mais charmosas. Na Penfolds Wines, o turista faz o seu próprio vinho a partir da mistura de algumas uvas como Grenache, Shiraz e Mourvedre. No rótulo da garrafa de 375 ml vem o nome do mais novo “winemaker” do pedaço.
Na Peter Lehmann Wines, uma placa na entrada informa: “Degustação de vinho aberta”. Aqui, a AU$ 25, o visitante pode encomendar o “Weighbridge Platter”, uma porção de produtos regionais como salame, queijos, azeitonas, molhos e pães, ideal para o almoço de um casal ou servido como lanche da tarde a um grupo. Os aperitivos podem ser apreciados com uma taça ou garrafa de vinho nos jardins da vinícola. As garrafas Peter Lehmann são facilmente reconhecíveis pela logo, uma Dama de Paus. Sempre estilizadas, são desenhadas pelo artista local Rod Schubert.
Imperdível em Barossa é o restaurante Vintner´s Bar & Grill. Se o tempo estiver bom, escolha almoçar na varanda, embaixo de videiras e ao lado de roseiras. No outono, as folhas secas e rosadas caem das árvores e se espalham entre as mesas, cenário de obra de arte. Para finalizar o passeio, dê uma passadinha na Maggie Beer’s Farm Shop. Maggie Beer, famosa chef e escritora, vende em sua loja diversos produtos regionais feitos especialmente por ela, com destaque para molhos, geléias e sorvetes, todos com provinhas à disposição. Uma delícia!

Kangaroo Island
Vida selvagem em cenário paradisíaco

A apenas 20 minutos de vôo de Adelaide fica a desconhecida por muitos brasileiros, mas inesquecível desde os primeiros minutos de viagem, Kangaroo Island, com quatro mil habitantes. O avião de apenas 33 lugares da Regional Express deve levantar vôo às 17h05 da capital de South Austrália de propósito, para impressionar os turistas. O pôr do sol que se vê lá de cima refletido de água azul-turquesa lá debaixo é de uma beleza indescritível.
A ilha é assim chamada não pelos milhares de cangurus encontrados em seus 155 quilômetros de comprimento, mas pela gratidão de Matthew Flinders a esses marsupiais. Quando o inglês foi designado para mapear a costa da Austrália, achou morto de fome, em 1802, a ilha. Comeu os primeiros 31 cangurus que encontrou e os homenageou dando nome ao pedaço de terra de “Ilha do Canguru”.
Mal sabia ele o que mais iria encontrar. A ilha é um verdadeiro santuário de leões-marinhos, que encontram no Seal Bay Conservation Park o lugar ideal para viver. Trata-se de uma praia exclusiva para eles. É possível avistá-los a partir de trilhas de madeira ou, mediante alguns dólares a mais, da areia da praia. É proibido, no entanto, chegar muito perto dos animais. Mas a distância mínima de 10 metros é mais do que suficiente para tirar ótimas fotos dos leões-marinhos brincando, brigando, se espreguiçando, dormindo.
Eles também podem ser clicados no Admirals Arch, formação rochosa em forma de arco, localizada numa das pontas da ilha. Percorre-se um caminho de trilhas em madeira de cerca de 10 minutos até se chegar ao objetivo final. Todo o trajeto, ao longo da costa, é de tirar o fôlego: grandes paredões, ilhotas a poucos metros de distância e pequenas piscinas formadas nas pedras, parque aquático dos leões-marinhos, formam o cenário.
A poucos metros dali, as “Remarckable Rocks” chamam a atenção. Entre duas praias, uma mais bonita que a outra, um conjunto de pedras gigante com formas inusitadas virou ponto turístico da ilha. E por falar em praia, na Kangaroo Island está a mais bonita praia de toda Austrália, segundo a Universidade de Sydney: a Vivonne Bay. Um professor – sortudo – foi pago para percorrer as 10 mil praias do país e escolher a mais bonita segundo critérios como: ter no mínimo dois quilômetros de costa, ter fácil acesso, não ter nenhum tipo de construção em volta e ser impecável em relação à conservação do meio ambiente. Não fossem esses critérios, bem que a Hanson Bay, bem menorzinha, poderia ter sido escolhida. Suas águas azuis e areia branca em forma de concha deixam qualquer um boquiaberto.
A ilha reserva ainda o Koala Walk, caminho entre eucaliptos onde é possível avistar diversos coalas – é bom levar um binóculo – e o Kelly Hill Conservation Park, com uma concentração incrível de cangurus. O veículo 4x4 percorre o parque, mas para em alguns momentos para que os visitantes possam caminhar entre os marsupiais. E, claro, tomar o chá das 5h, afinal essa é uma ex-colônia britânica.

Quem Leva

A Kangaroo Tours (11 3066-0266 e www.kangarootours.com.br) oferece o pacote Sydney, Adelaide e Kangaroo Island com nove noites, sendo quatro em Sydney, quatro em Adelaide e uma na Kangaroo Island. Inclui aéreo, traslados, hospedagem, city tour em Sydney, city tour em Adelaide, passeio de um dia à região vinícola de Barossa para degustação e almoço e tour de dois dias na Kangaroo Island. A partir de US$ 3.720 + taxas de embarque. A Kangaroo Tours também oferece o pacote Sydney e Melbourne com sete noites. Inclui aéreo, acomodação, traslados, city tour em Sydney com minicruzeiro e almoço a bordo, passeio pelas Blue Mountains com visita ao santuário de coalas, passeio à Great Ocean Road em Melbourne, passeio ao Parque Blue Dandenong, visita à região de Yarra Valley com parada em uma vinícola e visita a um parque de animais nativos australianos. A partir de US$ 2.950 + taxas de embarque.
 

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