Clipping

Ilhas Fiji para se lembar pela vida inteira

Data: 01/01/2011
Fonte: Revista Viaje Mais

Para se lembrar pela vida inteira
Arquipélago “perto” da Austrália tem beleza como as da Polinésia, com vantagens como o preço mais em conta para a hospedagem, sem contar o sorridente povo.
Bula. Por mais estranho que possa parecer, essa palavra, que em português nada mais é do que as informações de um remédio, resume como nenhuma outra o espírito de um arquipélago mágico e longínquo chamado Fiji. Ao pé da letra, bula, na língua nativa, “vida”. Mas no dia a dia dessa maravilha do Pacífico, a palavra vira saudação e serve para tudo : bom dia, como vai, seja bem-vindo... E é com um sonoro e cantado “bula!”, mais um colar feito com as perfumadas frangipanis, que o normalmente recebido no Aeroporto de Nadi, porta de entrada para uma experiência para se lembrar pela vida inteira.
Conhecido como o playground do Pacífico, pela diversidade de paisagens e de atividades oferecidas aos turistas, Fiji fica na região da Melanésia, composta também por vizinhos poucos conhecidos, como Vanuatu e Nova Caledônia. Difícil encontrar no mapa-múndi? Procure “perto” da Austrália e da Nova Zelândia e, dingo, o arquipélago de 333 ilhas está bem ali. Não por acaso, esses dois países são, junto com os Estados Unidos, os que mais mandam visitantes para lá. A dificuldade para chegar e o preço dos pacotes (confira à pág.80) fazem supor que realmente se está indo para o paraíso terreno. Apesar de lugar-comum, a expressão mais precisa é essa mesmo, sem tirar nem pôr. Águas cristalinas e quentes, praias de areia branquinha deserta e que parecem não ter fim, pôr do sol cinematográfico e o jeito do povo o grande trunfo do lugar, deixam mesmo o mais sisudo dos turistas em estado de graça.

Pode apostar que, para quebrar o gelo e saciar a curiosidade dos nativos, que têm no turismo uma das principais fontes de renda, no primeiro contato com taxista, o carregador de malas ou um garçom, uma dessas perguntas, ou as três, serão feitas: “bula! De onde você é?”, Quanto tempo vai ficar na ilhas?”e “Está gostando daqui?”. Brasileiros fazem sucesso à beça, pelo ineditismo da presença – são poucos, muito poucos os que aparecem por lá – e pelo futebol, claro.
Mesmo muito low profile, Fiji, que foi cenário de filmes hollywoodianos como A Lagoa Azul (1980) e O Náufrago (2000), tem credenciais suficientes para ser comparada com a Polinésia Francesa, o mais conhecido dos “paraísos terrenos”. E com alguns pontos mais fortes do que aquele famoso conjunto de ilhas que inclui jóias com Bora Bora, Moorea e Taiti: preços bem mais em conta, pois é possível ficar em backpackers supertransados, que dividem a praia com um resort de luxo; fácil deslocamento entre as ilhas; e um banho de cultura, já que até o chef do restaurante de um resort cinco-estrelas é quase sempre um autêntico fijiano.

Antes do Éden, Nadi
Terceira maior cidade de Fiji, Nadi é por onde os turistas estrangeiros, vindos em vôos que partem de Auckland, na Nova Zelândia, travam o primeiro contato com o país e sua cultura. Assim como Papeete, no Taiti, primeiro pit stop em solo polinésio, Nadi está longe de ter as melhores praias, mas vele dormir uma noite por lá e no dia seguinte, conhecer a Fiji”real”.
Nadi é bem servida dehotéis, inclusive de bandeiras internacionais, como o Sheraton – esse fica em Denarau, ilha ligada a Nadi por uma ponte e a 15 minutos do aeroporto. É prudente chegar já com hospedagem e transfers garantidos, serviço que a maioria dos hotéis que a maioria dos hotéis oferece. Assim como o transporte que leva às principais pais atrações locais, como o mercado.
Tenha uma boa dose de paciência, já que os artesão tentam empurrar de tudo aos estrangeiros: camisetas com a corriqueira frase Bula Fiji, peças de artesanato de palha e coco, cangas para as mulheres feitas em tapa(estampa típica do Pacífico, usada em dias festivos) e trabalhos belíssimos em madeira.
A atenção da mulherada também se volta para os produtos de beleza, todos naturais e feitos com a onipresente flor frangipani e coco: são os mesmo usados nos luxuosos spas dos hotéis. Lá, não se preocupe com a moeda, já que eles aceitam, além do dólar fijiano, dólares americanos (o dólar local vale US$0,53 e australianos, se vacilar, até real, se você tiver uma boa lábia.
E, por favor, relaxe: o fijiano tem um quê de baiano e eles próprios brincam com o ritmo slow motion que rege o arquipélago, onde não há pressa para nada. Fiji time, por exemplo, é uma expressão comum para se desculpar por qualquer atraso ou mesmo para estimular o turista. Em Nadi, visite também os belos santuários, a exemplo do Swammi, templo hindu muito colorido. Ele é freqüentado pelos chamados indd-fijianos, descendentes de trabalhadores indianos trazidos pelos ingleses no século 19 e que constituem cerca de 38% da população (a maioria do povo, 54,3%, no entanto, é cristão). De tão amáveis e interessantes culturalmente, os próprios habitantes de Fiji acabam virando uma atração turística. E para conhecer a cultura fijiana, vale fazer uma incursão pelas vilas e vivenciar um pouco a história e os costumes locais.
O Sigatoka River Safári é um passeio oferecido aos visitantes que estão nas regiões de Nadi, Denarau e Natadola, todas próximas ao aeroporto internacional.
Ali, não tem show para turista ver, mas uma verdadeira experiência e intercâmbio cultural com os moradores. Os organizadores deixam claro que metade do dinheiro arrecadado com a atividade vai para os nativos, que o usam em melhorias nas comunidades.
O passeio começa com um tour de lancha pelo Rio Sigatoka, que concentra várias comunidades ribeirinhas, onde é possível ver as mulheres no seu dia a dia: catando mexilhões e lavando roupa nas margens do rio. Todos os fijianos, sem exceção, abrem um grande sorriso e dão um entusiasmado tchau ao verem a lanchinha passar.
O “safári” faz uma pausa, então, em uma das vilas, repleta de improvisadas casinhas de madeira. Porém, antes de chegar ali, é bom entender e respeitar a cultura local. Não entre na casa de uma pessoa sem ser convidado. Se for, não se esqueça de tirar os sapatos. Nas vilas, mesmo com o calor, shorts e trajes de banho estão longe de ser as roupas mais adequadas. Por isso, todas as mulheres que participam do roteiro ganham um sarongue para ser usado durante a visita – e depois, a peça de roupa pode ser levada para casa.
No costume local, toda vez que uma vila é visitada, o mais velho dos turista deve levar um presente ao mais velho dos nativos, conhecido como ratu, palavra que significa “chefe”. Esse presente, chamado de sevusevu, é a kava, planta tradicional do arquipélago. Suas raízes, quando misturadas com água, formam uma babida servida em todas as ocasiões especiais em Fiji.
A cerimônia da kava é o ponto alto da visita, quando o chefe local prepara e oferece a bebida, “autorizado” a entrada dos estrangeiros naquela vila. Mas atenção aos possíveis efeitos colaterais: a kava tem propriedades sedativas – alguns dizem que até alucinógenas. Não deixe de provar, mas não exagera.
Depois da cerimônia, é hora de provar um autêntico almoço fijiano, com frutas e bolinhos de arroz. O dia acaba com danças típicas e com muitas fotos de nativos dançado com turistas, tudo no maior entrosamento. No caminho de volta para o hotel, é irresistível fazer uma pausa pra compras em lojas de souvenires na beira do Rio Sigatoka. Por lá, a sensação as camisas e bermudas da Bullabong, uma brigadeira que mescla a palavra mais popular da ilha – a surperusada saudação bula – com a consagrada marca australiana Billabong. E quem adora tirar fotos divertidas, a dica é registrar os vários estabelecimentos que têm bula no nome. Bula FM, a rádio local; Bula bus, o ônibus; Bulaccino (café tradicional de lá) e o jornal Bula Sun, que tem o logotipo parecidíssimo com o do tablóide inglês.
Após essa aclimatação ao jeito fijiano de levar a vida, está mais do que na hora de partir para os roteiro de cinema, literalmente.

Interação com os nativos
Os Arquipélagos de Mamanuca e Iasawas são os mais acessíveis e dão belíssimas mostras do que Fiji tem de melhor, Mamanuca tem 13ilhas muito bem abastecidas por linhas diárias de confortáveis ferries, que saem de Port Denarau.
A south sea Cruises é a maior empresa da região e o oferece passeios de um dia por a partir de US$60, para as principais ilhas. Ela também realiza apenas o deslocamento de turistas para os hotéis. O serviço é uma mão na roda para o viajante que não quer ficar se deslocando entre as ilhas de avião. E convenhamos: chegar de barco e ser aguardado no cais do hotel por fijianos sorridentes tocando violão é uma experiência inesquecível. Isso sem falar no drinque de boas-vindas e de mais um perfumado colar de flores. As ilhas Mana, Beachcomber, Castaway, Wadigi e Plantation abrigam resorts, que levam o mesmo nome do lugar onde estão. Empreendimento como o mana Island Resort oferecem todas as mordomias para autênticos dias de rei. Café da manhã servido de cara para praia, jantar à luz de tochas, mergulhos de snorkel e de cilindro para ver peixinhos coloridos e, quem sabe, outras criaturas maiores...
Mesmo que o clima seja para lá de propício para casais apaixonados, hóspedes com crianças também não precisam se preocupar, já que boa parte dos hotéis tem clubinhos com um sem-fim de atividades infantis, deixando os pais livres, leves e soltos. Dividindo a mesma praia do Mana Resort, o Ratu Kini’s Backpacker é uma opção bastante em conta. Sem luxo os pequenos quartos para casal com banheiro privativo, têm diárias ao preço de US$ 90.

Uma Ilha sua, toda sua
Outras parada, nem que seja só para tirar foto (já que só hóspedes podem desembarcar e ficar), é na paradisíaca Ilha Wadigi, a cerca de meia hora de ferry de Mana. Ali funciona um dos poucos hotéis do mundo que só aceitam a reserva de um hóspede (ou casal ou família) por vez. “Em vez de ficar num hotel em uma ilha, por que não ter a ilha só para você?”, sugere a australiana Tracey Johnston, dona do cinco-estrelas Wadigi Island Resort, que recentemente recebeu a socialite Paris Hilton e a cantora Pink por nada menos do que US$ 2 mil a diária. “Tenho vários hóspedes famosos, mas não posso revelar o nome. A Paris e a Pink escreveram no Facebook que estiveram aqui”, explica a proprietária, que comanda um time de apenas nove funcionários, que ficam à disposição do único casal ou do grupo que ali se hospeda. Seja no hotel de tracey ou em outro resorts, o fato é que vários nomes bem conhecidos, como Bill Gates, Pierce Brosnan, Michelle Pfeiffer, Russell Crowe e o casal Demi Moore e Ashton Kutcher, também se “esconderam” nessa terra abençoada. Em Wadigi, nada tem hora. O hóspede escolhe o que, onde e quando quer fazer as refeições, que devem incluir pratos da aromática culinária de Fiji. Como o Kakada, um Coquetel de peixe marinado ao leite de coco, e o camarão com molho de frutas.
De prato principal, que tal uma truta de recife grelhada ao molho de carambola? Para beber, suco de frutas, água de coco e as cervejas locais Fiji Bitter e Vonu, que na língua nativa significa “tartaruga”, animal sagrado por lá, já que representa prosperidade e mudanças. O hóspede também ganha um barqueiro, que fica ao seu dispor: Tia, figura famosa da região , que passa horas explicando tudo sobre as ilhas e sabe de cor o caminho de 40 minutos até a Ilha Modriki. É nessa ilhota que o personagem de Tom Hanks em O Náufrago passa anos conversando com a bola de vôlei batizada de Wilson. Como tudo o que tem alguma coisa a ver com Hollywood chama a atenção, não desanime ao ver vários barcos com turistas em Modriki. Quem não quer ter uma foto no cenário real do filme? Boa parte dos visitantes, pela comodidade e proximidade do aeroporto, fica na região das Mamanucas, mas quem tem tempo e disposição deve partir rumo a Yasawas, a noroeste de Fiji.

O Arquipélago de Yasawas propicia passeios únicos, como mergulhar de snorkel para ver turarões galha-preta
O arquipélago é alcançado de catamarã, numa viagem que dura três horas, ou num vôo de menos de 30minutos, a bardo de um hidroavião. Não é nada mau ver, do alto, as sete ilhas principais e algumas ilhotas que, com a maré baixa, podem servir de cenário para um piquenique ao pôr do sol. Yasawas reúne maravilhas como as Ilhas naviti, Waya e Tavewa, região servida por bons resorts e que oferece atividades únicas por ali, como o mergulho de snorkel para ver tubarões galha-preta, avistados mesmo da superfície. Outra atividade molhada é nas cavernas de Sawa-I-Lau, onde é possível entrar a nado e conhecer um lugar que, acredita-se, era um santuário dos deuses no passado. Nanuya Levu é mais um canto a exibir visuais incríveis: não à toa, foi palco das filmagens do clássico A Lagoa Azul, que há 30anos revelou ao mundo a beleza de Brooke Shields e, por extensão, de um jardim do Éden possível de ser visitado que é chamando de Ilha Fiji.

Pacotes
A kangaroo Tours – (11) 3066-026; Kangaroo.com.br – tem pacotes de nove dias com parte aérea (voando com a Lan até Auckland e com a Air New Zealand para Fiji), traslados, seis noites no Outrigger Resort, em Sigatoka, pensão completa e seguro. A partir de US$ 3.427

Kangaroo Tours Operadora Turística © 2009 | Kangaroo Tours
End. Al. Min Rocha Azevedo 456 2º andar
São Paulo , SP , 01410-000 Brasil
55 11 3509-3800