Clipping

Uma Viagem ao Reino da TAILÂNDIA

Data: 15/04/2010
Fonte: Viaje Mais

Recuperado do tsunami de seis anos atrás, o país do sudeste asiático mantém-se forte como destino com muita simpatia, preços baixos e praias de cinema.

Cheguei à Bangcoc na hora do almoço. Em meio a turistas de todos os cantos do planeta, busquei as malas e, finalmente, estava pisando em solo tailandês. Mas ao sair do aeroporto, não deu tempo nem de fitar o céu. Estava rodeada. Eram motoristas de tuctuc (transporte típico), vendedores, agentes de viagem... Ofereciam de tudo e mais um pouco. Educadamente, mas insistentemente. Como tinha lido muito sobre a incrível cultura thai, não me assustei. Louca para ver o meu poder na arte da pechincha, negociei com sucesso um transporte até o centro da cidade, e lá fomos nós. A aventura só estava começando...
Em alguns minutos, é fácil constatar: o trânsito é caótico, e deixa São Paulo (SP) no chinelo. O povo consegue ser mais simpático do que o nordestino. Não por acaso a Tailândia, antigo Sião, é conhecida como a “Terra do Sorriso”. E quem acha que o brasileiro é religioso, precisa dar um pulinho naquele país. Tudo isso pude perceber de dentro do táxi, que levou quase uma hora para fazer um trajeto que, sem trânsito, duraria cerca de vinte minutos. O motorista tinha diversas imagens de Buda no painel do carro e falava um inglês macarrônico. Ao saber que eu vinha do país do futebol, soltou um alto e sonoro: “Kakááááááá!”.
Bangcoc é a capital e também a maior cidade da Tailândia, com cerca de 12 milhões de habitantes. Os superlativos se estendem ao nome, que poucos sabem, mas faz parte do Guiness, o livro dos recordes, como o maior nome de cidade do mundo, com 152 letras (que não me atrevo a reproduzir aqui). Espertamente, é chamada pelos tailandeses de uma forma abreviada.
A maior parte da população é budista. Cruzar nas ruas com monges vestidos de laranja (cor que simboliza a renúncia) é até mais comum do que encontrar padres e freiras transitando a caráter no Brasil.
Quem faz o dever de casa, antes de embarcar, aluga na locadora o filme A Praia, de 2000, clássico estrelado por Leonardo Di Caprio e dirigido por Danny Boile. E uma vez em Bangcoc, vai direto conhecer a Khaosan Road. Foi o que fiz.

Reservas Antecipadas

Reservar o hotel do Brasil é mais que recomendável, já que Bangcoc fica cheia o ano inteiro. E os turistas tem uma queda especial pelas cercanias da Khaosan. Na maioria dos estabelecimentos, basta dar, ainda de casa, o número do cartão de crédito pela internet que uma diária é creditada para garantir a reserva. O Sawasdee, uma das maiores redes de hostels da cidade, oferece quartos simples, mas com banheiro individual, ar-condicionado e um café da manhã com torradinha, ovo e suco por módicos 750 baht a diária (cerca de R$ 40). Eles nem se atrevem a oferecer o desjejum típico tailandês, já que sopa com ovo e pedaços de frango definitivamente não agradam ao paladar ocidental. As grandes redes hoteleiras como Marriott e Grand Hyatt também estão presentes na cidade, mas não tão próximas da badalação.
A Khaosan é um acontecimento: a rua é fechada aos carros e dos dois lados da calçada, casebres e hostels dividem espaço com carrocinhas, restaurantes e casas de massagem (no bom e no mau sentido). Aliás, passar pela Tailândia e não fazer uma massagem é o mesmo que ir a Paris e não conhecer a Torre Eiffel. Por R$ 10 é possível cuidar do corpo inteiro com especialistas na arte de relaxar.
Em cada esquina, sorridentes tailandesas convidam os turistas a uma thai massage, e não é difícil encontrar famílias inteiras sendo massageadas após um dia de exaustivas caminhadas entre os principais pontos turísticos de Bangcoc. Vale experimentar a fish massage, opção em que o turista mergulha o pé numa espécie de aquário e é massageado por peixinhos que têm ventosas e tiram as impurezas.
Por fim, os mais assanhadinhos podem optar por massagens completas, onde as tailandesas usam até os seios. Elas são oferecidas nas ruas verbalmente e em panfletos, sem o menor constrangimento.

Templos que valem a pena

Do centro, com um mapa na mão (no aeroporto eles são distribuídos, mas não custa nada trazer um de casa) é possível ir a pé para alguns pontos turísticos como o What Pho, templo do Buda deitado. Programa nota 10, já que é uma das relíquias mais antigas do país. A imagem do Buda folheada a ouro tem 46 metros de comprimento e 15 metros de altura. Ilustra a passagem da divindade ao nirvana. Lá dentro, é possível tirar fotos (o que não acontece em todos os templos) e o visitante deve deixar os sapatos na entrada.
Mais adiante, a parada no Wat Phra Kaew e no Grand Palace, um complexo que toma todo um quarteirão, deixa qualquer um arrepiado. O lugar é a sede do governo, já serviu de residência oficial para reis (o atual monarca chama-se Bhumibol Adulyadej e o país é governado em sistema de monarquia constitucional) e pode ser visitado na parte externa, com direito a ver a guarda oficial a postos.
O Wat Phra Kaew é o mais sagrado templo budista, com imagem do Buda em esmeralda, e vários outros pequenos palácios e imagens, além de locais especiais para oferendas onde milhares de turistas são vistos rezando e entrando no ritmo local. Todas as visitas são pagas, mas como tudo na Tailândia custa muito pouco, para o visitante o valor é simbólico.

A Bordo do Tuc-Tuc

Fazer esses dois passeios já está de bom tamanho. Mas quem tem mais tempo pode percorrer outros templos menos conhecidos, mas igualmente belos. E a melhor opção para isso é “contratar” um tuc tuc, moto com uma carroceria improvisada para duas ou quatro pessoas. Eles estão em todos os lugares, a toda hora. Viajente que se preze tem que andar num deles durante a passagem pela Tailândia.
Mas atenção: é necessário ter (muita) paciência. Antes de acertar o trajeto do dia, é indispensável negociar com os motoristas, que disputam os turistas quase a tapa. Tantos templos, tantas paradas e o preço é tal – é mais ou menos assim a negociação. E não se assuste se o “piloto” sair um pouco da rota. Normalmente eles param em lojas de tecidos, seda ou souvenires e praticamente obrigam o viajante a entrar. Isso porque, em troca, a loja paga a gasolina do tuc-tuc para o mês inteiro. Por isso, é melhor não se estressar.
Bangcoc é conhecida como Veneza do Oriente pela grande quantidade de canais. Eles são usados como meio de transporte e também de sobrevivência. E, nesse quesito, o tailandês dá um show. Em alguns bairros, as águas viram palco de mercados flutuantes (Floating Markets), que ficaram famosos desde 1974, quando serviram de cenário para o antigo James Bond vivido por Roger Moore, no clássico The Man with the Golden Gun. O melhor é contratar um tour pelos mercados (oferecidos em cada esquina), que pode ser feito na parte da manhã ou da tarde, por cerca de 500 baht, menos de R$ 30.
O programa com os tuc-tucs pode se estender até a noite. E os próprios motoristas são os melhores guias. Não estranhe se oferecerem o ping pong show, o que aconteceu comigo e meu marido. E muito menos imagine que se trata de um evento sobre o esporte da mesinha verde. No show em questão, tailandesas jogam e brincam com a bolinha na...vagina.

Comida Barata e Ardida

Mudamos a rota, já que a fome batia à porta. São muitos os restaurantes na capital tailandesa, de comida internacional à tradicional cozinha thai. Mas todo cuidado é pouco. Escolhi um tradicional, mas mesmo com várias recomendações, a comida (um tipo de frango ao curry) veio muito apimentada e nem consegui chegar ao final, embora estivesse deliciosa. Mais uma vez, fiquei impressionada em comer num restaurante chique por menos de R$ 20.
Depois dessa, desisti da idéia de provar aqueles famosos espetinhos de gafanhoto e cigarra oferecidos nas carrocinhas de rua: é muita esquisitice para uma pessoa só. Para fazer a digestão, nada melhor do que um passeio nos night markets como o Patpong: são mercados noturnos que vendem de tudo e mais um pouco. Velas, especiarias, incensos, camisetas e objetos lindos de decoração. E o melhor, baratíssimos. É possível comprar almofadas transadas por R$ 10 cada – e ainda dá para pechinchar.
Três dias são mais do que suficientes para conhecer os principais pontos turísticos e entrar no clima de Bangcoc. Mas a Tailândia não é só caos e misticismo. É lugar de belas ilhas e praias, a próxima parada.

Phuket e Phi Phi

Meu segundo destino foi a maior ilha do país. Optei pela companhia Air Asia, que, assim como a Thai, tem vôos baratinhos, mas sem luxo. Em apenas uma horinha, estava sobrevoando a água cristalina do Mar de Andaman e desembarcando em Phuket, na parte sul da Tailândia. A ilha é repleta de praias, montanhas e uma vida noturna pra lá de intensa, com muitos bares e inferninhos.
Do aeroporto, parti com um motorista (para variar) bem simpático rumo a Karon Beach, uma das praias mais tranqüilas do lugar. No trajeto, que durou cerca de meia hora, pude notar algumas placas com setas para montes e morros, com a inscrição: “Tsunami, área de escape”.
Num inglês sofrível, o taxista contou que a ilha está completamente recuperada da tragédia de 2004, quando muitos turistas e locais morreram pela força das águas. Mas como os tailandeses adoram ganhar um dinheiro, até a tragédia é fruto de exploração, e um tour pelos principais pontos atingidos pelo tsunami é oferecido na beira da praia. Fiquei tentada a pagar, mas preferi a parceria sombra e água fresca.
Karon é uma praia de areia bem branca e que nunca fica lotada. Tem uma boa rede hoteleira, como o Woraburi Resort e pequenos shoppings com restaurantes e estúdios de massagem. A maior parte dos hotéis fica em frente à praia, com os restaurantes abertos ao público.

Em Duas Rodas

A dica em Phuket é alugar um scooter e circular com ele pelas praias o dia inteiro. A diária sai por menos de R$ 20 e a gasolina também é barata. Já motorizada (para alugar, basta apresentar o passaporte), decidi me render a Patong, a praia mais turística de Phuket.
Antes de viajar, ouvi muitas críticas ao lugar, por ser lotado. E realmente é. A praia, em si, com areias escuras, muitas espreguiçadeiras e um mar pouco chamativo, não é nada demais. Mas o entorno dela é que chama a atenção. São quadras e mais quadras de lojas, shopping centers, fast foods, estúdios de tatuagem, de massagem. Não sabia nem para que lado olhar. A praia era o de menos. Ao cair da noite, fiquei impressionada com o grande número de meninas (algumas uniformizadas) chamando os turistas para um “programinha”. E o pior: até o meu marido foi convidado. Mas nada que uma cara feia não resolvesse...
Ao norte de Patong, vale conhecer as outras praias da região, como Kamala, Surin e Bang Tao, esta última a mais preservada – se é possível usar essa palavra. Outra opção noturna, mas “beeem” turística, é a Fantasea, um belo espetáculo típico numa casa de shows com elefantes amestrados e muita dança.

Com a sensação de ter conhecido as melhores atrações de Phuket por três dias, finalmente chegou o meu “momento Richard”, nome do personagem de Leonardo Di Caprio no filme A Praia. No porto de Phuket, comprei por 600 baht (cerca de R$ 32) o tíquete para o ferry rumo às ilhas Phi Phi, lugar paradisíaco que virou roteiro obrigatório de 10 entre 10 turistas após o filme hollywoodiano.
A área ainda é conhecida por abrigar uma das mais antigas comunidades do país. Embora os funcionários prometam uma viagem de cerca de uma hora, levei quase duas para chegar em Phi Phi. Mesmo fora da alta temporada, o ferry vai abarrotado de viajantes de todos os cantos do planeta, mas muitos europeus vindo ou indo para Laos, Camboja e Vietnã, roteiro que os jovens aventureiros adoram.

A Famosa Maya Bay

Antes mesmo do ferry atracar em Phi Phi, a embarcação dá uma parada e todas as máquinas fotográficas e binóculos se voltam para a mesma direção. Lá está ela: Maya Bay, ou “a praia”. Passada a emoção, é hora de sair do ferry e seguir a pé, numa trilha de areia, para um dos muitos hotéis e resorts da ilha, pois carro não existe por ali. Escolhi o Phi Phi Villa Resort, hotel charmosinho com bangalôs e café da manhã de cara para o mar. O melhor: a diária não passa de R$ 150.
Seis anos depois, a ilha ainda tem vestígios do tsunami, com áreas em reconstrução. Mais isso passa quase despercebido, já que o mar cristalino é o que chama mais atenção.
Não consegui esperar o dia seguinte e decidi partir para conhecer a tão falada Maya Bay. Perto do porto de Phi Phi, um engarrafamento de barquinhos típicos, os long tail boats, aguardam os visitantes que querem passear pelas ilhotas da região.
O lugar é dividido em duas ilhas: Phi Phi Don, onde ficam os hotéis e restaurantes, e Phi Phi Leh, mais selvagem e a cerca de 15 minutos de barco. “Vou te levar em outras ilhas e vamos chegar em Maya no pôr do sol”, avisou o barqueiro.
A Bamboo Island e Monkey Island são lindas, com areia branquinha e muito azul. A segunda, como o nome diz, tem pequenos macacos que lá vivem e vêm saudar os visitantes (que devem levar bananas, senão correm o risco de serem mordidos). Nenhuma das ilhas tem infraestrutura (ainda bem), portanto, não custa nada levar um lanchinho e garrafa de água.
Por volta de 17h, o barco embicou entre duas montanhas e avistamos um pedaço pequeno de areia tomado de gente. Muitos flashes, muitos turistas: não restava a menor dúvida de que era Maya Bay. Não era bem o que queria encontrar depois de mais de 20 horas de vôo até a Tailândia. O desembarque na pequena praia é feito pela areia (o barco chega a subir nela) e, apesar do engarrafamento de turistas, o lugar é realmente estonteante. A dica é ir de manhã bem cedo, antes de 9h. Assim, é possível tirar fotos sem pessoas atrás e realmente curtir o clima mágico daquela praia.
A noite em Phi Phi é agitada, com muitos bares e até boates. O programa ideal é ir a uma delas e, de quebra, assistir a lutas de muay thai ou boxe tailandês, esporte nacional que os nativos usaram nos tempos antigos para reprimir invasores e que hoje é praticado em várias partes do mundo. Para a dobradinha Bangcoc-Phuket (com esticada até as ilhas Phi Phi), bastam de oito a dez dias para conhecer bem os principais pontos de cada lugar. E, dependendo da companhia aérea escolhida, o viajante aproveita e conhece outros destinos no caminho, como Dubai, nos Emirados Árabes, via Emirates.

Pacotes

O pacote da Kangaroo Tours (11) 3066-0266, kangaroo.com.br – tem maior duração: são 9 noites de hospedagem (12 dias no total). Contempla as cidades de Bangcoc, Chiang Mai e Samui com alguns passeios, mas não tantos quando os da Raidho. A conexão do retorno é em Dubai e inclui uma noite de hospedagem lá. A partir de US$ 3.690 por pessoa em apartamento duplo.
 

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